Amor Além Da Vida

Amor Além Da Vida

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Tempo

Depois de muuuuuiiito tempo, abro este blog.
Construindo mais histórias *---*

domingo, 23 de janeiro de 2011

Dedicatórias

Fiz essa história fazendo faxina na casa. Dedicatória a meus amigos também: Cris, Josy, Jhessy e Ana que me deram forças a continuar a escrever, quando eu quis desistir; a meus amigos José Augusto e Nelson, que me ensinaram algumas palavras postas nessa história, muito engraçado. E a todos que leram e gostaram, o meu sincero Obrigado.

Último Capítulo =/

Oooi pessoal, enfim, acabou a história =/
Espero que tenham aproveitado bastante.

- E então Daphny, - como sempre Júnior puxando conversa. – agora que você sabe da verdade, não acha que o papai tem que arranjar uma namorada nova? Seu pai ficou sozinho por muito tempo, está na hora de arrumar uma companhia para ele, não acha?

- Eu tenho minha companhia. Minha filha. - eu o interrompi antes que ele continuasse com essa conversa.

- O dinho está certo, você não pode ficar sozinho por causa de mim.

- Mas eu não estou sozinho por sua causa, meu amor. E eu não estou sozinho. Eu estou com você. Não quero mais ninguém. Eu já expliquei mil vezes – e olhei para Júnior – que sua mãe foi a única e sempre será, que eu me apaixonei.

- Tudo bem pai, faça o que você quiser. Eu te apoiarei na sua decisão.

- Obrigado filha. Eu te Amo.

- Eu também pai.

Dei-lhe um beijo na testa. Depois do jantar, fomos dormir. Quando amanheceu, levantei e Daphny não estava em sua cama. Procurei-a em todo lugar, e só a achei na varanda. De um suspiro de alívio e fui ao seu encontro. Ela olhou pra mim e deu um beijo em meu rosto.

- Hoje mamãe falou comigo.

- É mesmo? No seu sonho? – pergunta idiota, mas tudo bem.

- Aham. Ela disse para eu cuidar de você, e dizer que ela quer ver você feliz.

- Ela sabe que sou feliz. – ela com certeza escutou.

- Me leva naquele lugar que você prometeu? – e ela não esqueceu da promessa.

- Levo. Vamos?

Levei-a até o cemitério. Foi doloroso. Ela levou umas flores que pegou no campo ali perto, e eu levei uma rosa. Ela passou a mão sobre a foto e sussurrou.

- Te Amo mamãe. Você sempre estará em meu coração. Sempre.

Eu não fiquei por menos, olhei para o céu, e botei a rosa em cima das flores e disse:

- Eu nunca vou estar sozinho, você sempre esteve e sempre estará comigo. Um dia, ficaremos juntos novamente. Eu te prometo. Eu te Amo. Vocês duas são minha razão de viver. Vou te amar até depois de minha morte, como eu prometi, lembra? – lágrimas desceram sobre meu rosto, e Daphny pegou minha mão. - Eu vou cumprir essa promessa também, assim como cumpri as outras. Eu te Amo.

- Nós te Amamos mamãe!

E um vento de flores circulou entre nós dois. Eu cumprirei minha promessa, assim como cumpri as outras. Assim, sou bem mais feliz.

____________________________Fim________________________________










Thomas cumpriu sua promessa. Aos 78 anos de idade veio a falecer. Nunca se casou, sempre cuidou de Daphny, e Daphny, mesmo depois de casada e com quatro filhos, cuidou de seu pai, com muito amor e atenção. Ele uniu-se então com seu único amor, um amor além da vida.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

16º Capítulo

- Clarisse, onde está a Daphny?

- Ela está no quarto. Disse que ia brincar, eu deixei.

- Não, tudo bem. Vou vê-la.

Fui até o quarto. Ela estava sentada na cama, com um porta retrato na mão, e um álbum ao lado. Era hora da verdade. Ela me viu, sorriu, e voltou a olhar a foto.

- Papai, quem é essa moça que está com você na foto?

- Essa moça? – sentei ao lado dela. Chegou a hora da verdade. – Essa moça é sua mãe.

- Hum, e vocês se separaram? Por que eu nunca a vi?

- Não filha, nós nos amávamos incondicionalmente, nós casamos, ela era nova, 17 anos, ela engravidou de você, nós estávamos ansiosos pela sua chegada.

- E o que aconteceu?

- Você vai ter que ser forte filhinha. Certo dia, ela foi ver sua avó, eu insisti pra acompanhá-la, mas ela disse que podia ir sozinha. Eu fui trabalhar, e quando eu estava quase terminando, ligaram do hospital avisando que sua mãe tinha sido atropelada, e que corria risco de vida. Eu corri para o hospital. Cheguei lá, estava sua avó e seu padrinho apavorados. Queria notícias de vocês duas, e então, o médico aparece e diz que você estava bem. – olhei em seus olhos, estavam esperando o desastroso final da história. Tive medo de continuar. Mas sei que ela iria perguntar, então continuei. – Perguntei sobre sua mãe, e o médico disse que ela escolheu sua vida ao invés da dela. Ela não resistiu. Eu não vi você por sete meses. Não tinha forças para cuidar de você. Eu fiquei um lixo. Mas depois eu peguei você e vou cuidar de você até quando eu morrer. – olhei para ela. Seus olhinhos estavam cheios de lágrimas, prontas para transbordar. Agora ela já sabe de tudo, pensei.

- Então, eu sou a culpada pela morte da mamãe? – e começou a chorar. Eu sabia que ela chegaria a essa conclusão. Peguei-a no colo, e a abracei com força.

- Não filha, você não teve culpa nenhuma. O único culpado foi o motorista que a atropelou. Ele estava bêbado, e não matou só ela, matou muita gente que estava no ponto, até um casal de velhinhos. Você não tem culpa de nada minha flor, sua mãe escolheu o que ela achava certo, eu sofri muito com a escolha, mas ela me deixou você, e foi a única coisa que me fez continuar a viver. Sem você, eu teria ido junto com ela.

- Mas ela podia ter me deixado morrer, depois ela teria outra. Ela não precisava ter tirado a vida dela por minha causa.

- Não, não filha, não diga uma coisa dessas! – Tentei acalmá-la. - Queria ter te contado mais tarde, você é muito nova pra entender essas coisas.

- Mas agora eu sei da verdade. É um peso a menos.

- É. Mas prometa que você não vai se culpar por isso. Você não tem culpa de nada. Promete?

- Uhum. Eu prometo.

- Muito bem. Vamos jantar.

- Papai, amanhã você me leva lá onde a mamãe foi enterrada?

- Levo sim. Vem vamos jantar.

Levei-a para a cozinha, o jantar já estava na mesa. Clarisse e Júnior sentaram um no lado do outro, e eu sentei ao lado de Daphny.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

15º Capítulo

- Posso saber o que vocês estavam fazendo? Isso é coisa que se faz? Vocês mal começaram a namorar e já estão assim? Nossa, você Clarisse, não é nem um pouco parecida com sua irmã. Você me surpreendeu.

- Desculpe Thomas. Agora sei que não sou igual a ela. – ela estava sem fôlego. Prefiro deixar isso pra trás.

- E você Júnior, eu não estava em casa, vocês nesses amassos, e a porta aberta. E se um ladrão entra? Provavelmente ele rouba a casa toda, e vocês nem percebem! Tomem cuidado da próxima vez!

- Tudo bem cara, foi mal. Não vamos mais fazer isso.

- Espero. Se quiserem fazer isso, por favor, façam fora de casa, ou se for dentro de casa, com a porta trancada, e quando eu e a Daphny não estivermos.

- Sim sim, Thomas. Não faremos isso. Foi perda de controle. Júnior e eu vamos nos comportar.

Seis anos se passaram. Todo aniversário de Joane, eu ia visitá-la. Levava buquê de rosas mistas, ela adorava. Consegui a guarda de Daphny, a Sra. Thunner nunca se importou de ela ir morar comigo, afinal, eu era o pai. Nunca contei para Daphny sobre a mãe, primeiro que ela nunca perguntou, segundo que eu estou esperando ela ficar maior para entender e não sofrer muito. Júnior e Clarisse noivaram, é… estão juntos há seis anos. Eu fui promovido ao cargo de supervisor de vendas em meu trabalho, tinha mais horas livre para adorar minha filha. Levava e a buscava na sua escola, todos os dias, de bicicleta. Nunca quis comprar carro, me sentia mais leve com a bicicleta, já havia me acostumado. Ela todos os dias ao sair me abraçava e íamos para casa. Em certo dia, ela não teve aula, ela ficou com a tia em casa. Eu cheguei, e Clarisse estava na cozinha, e nem sinal da Daphny.

sábado, 8 de janeiro de 2011

14º Capítulo

O dia foi tranqüilo. Hoje não tinha muito serviço, então o chefe liberou mais cedo. Fui para casa, e claro, Daphny estava lá. Peguei-a no colo e a beijei. Júnior também já estava em casa. Fui até a cozinha e Clarisse estava preparando o jantar. Sem querer forçar a barra, mas já perguntei.

- Então Clarisse, você já pensou?

- Pensei. Só não sei quando vou falar pra ele.

- Hum. Eu e Daphny vamos jantar fora hoje. É sexta, preciso de um tempo com minha filha, e vocês precisam se acertar.

- Tem certeza? Acha que é a melhor hora?

- Você não terá outra hora. Esse final de semana eu vou ficar em casa, e as coisas vão ficar complicadas se você deseja falar com ele a sós.

- Não, tudo bem. Bom jantar para vocês. Tchau gatinha da tia. – beijou Daphny e continuou o jantar. Fui até a sala falar com o Júnior.

- Júnior, eu e a Daphny vamos sair. Clarisse quer falar com você, sobre aquele assunto.

- Sério cara? Nossa, creio que ela vai dizer não. Eu fui um imbecil, falei coisas sem sentido.

- Você foi não, você é um imbecil.

- Obrigado. Valeu pela força.

- Agradeça a mim que a fiz pensar mais um pouco. Se ela disser não, não foi por falta de incentivo á ela dizer sim.

- O que você falou para ela?

- Nada demais. Vou sair com minha filha. E vocês se comportem. – essa última frase eu meio que gritei, porque servia para os dois.

Saí e rezei para que tudo desse certo. Fomos a uma lanchonete ali perto. Conhecia quase todos, e eles estavam loucos para conhecerem Daphny. Quando entrei, logo vi a roda de pessoas. A Sra. Curtney foi a mais gentil.

- Gente, por favor, deixe ele se sentar com ela, ou eu desconto do salário de vocês! Eu falo sério.

Eu sorri e me dirigi à primeira mesa que eu vi vaga. Deixei o bebê conforto em cima da mesa, Daphny estava nele. Olhei, mas só a Sra. Curtney estava esperando. Eu disfarcei e peguei o cardápio. O mesmo de sempre. Ela veio e mexeu na cadeirinha. Eu olhei, vai que não é ela.

- Desculpe, ela é muito linda. Muito parecida com Joane. Ela tem os seus olhos. Isso a deixa mais linda. – sorriu. Daphny também sorriu. – Oi gracinha, seu pai resolveu trazê-la aqui? Já estava quase indo lá te ver. O que vai querer comer Thomas?

- O mesmo de sempre, se a Sra. ainda se lembrar.

- Claro que me lembro. E o que vai querer dar a ela?

- Eu trouxe uma mamadeira. Ela vai se sustentar com ela.

- Tudo bem, vou lá entregar seu pedido. Importa-se de meus funcionários virem vê-la?

- Claro que não. Pode deixar. Só peça que venha um de cada vez, para ela não se assustar.

- Sim, sim. Já trago seu lanche.

- Obrigado.

Dei a mamadeira para Daphny, os funcionários vieram um de cada vez. Foi engraçado, porque os que vinham queriam ficar brincando com ela, e os que esperavam brigavam com os outros porque queriam vir ver também. Daphny só sorria, e todos se encantavam. Meu lanche veio, e tive que dividir com ela, o pão pelo menos, ela ainda estava com fome. Mas eu não queria dar essas coisas para ela, ela é muito novinha ainda. Comi rápido e voltei para casa. Cheguei em casa, nenhum sinal dos dois. Rezei para não encontrá-los na minha cama. Olhei e nada. Daphny puxava minha camisa, já sabia o que ela queria. Fui para a cozinha e fiz mais um a mamadeira e dei a ela. Peguei-a no colo, e ela logo dormiu. Botei-a no berço, e fui para sala a fim de assistir televisão. Quando eu fui deitar no sofá, ali estavam os dois nos amassos. Se eu perguntasse o que tem na TV, eles não saberiam responder. Pigarreei e eles se afastaram. Uma irmã era completamente diferente da outra, pelo que percebi. Joane e eu nunca fizemos isso enquanto namorávamos, ainda menos quando era no começo do namoro. Nem pensar. Pensei em eu e ela fazendo isso. Mal consegui. Voltei para o presente. Eles se tocaram e pararam. Ficaram olhando para mim, assustados, pegos em surpresa. Ficaram sentados, creio, esperando eu falar algo. Não perdi tempo.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

13º Capítulo

- Hoje o jantar estava silencioso. – puxei para ver se ela sabia de algo.

- Pois é. O Júnior estava tão quieto. Não é típico dele. Você sabe de alguma coisa? Sabe se eu fiz alguma coisa?

- Não, pensei que você soubesse de algo. Nunca vi júnior assim. Geralmente nem dormindo ele fica quieto. – olhei pra ela. Ela parecia mesmo não saber de nada. - eu vou falar com ele. Você pode lavar a louça? A Daphny já está dormindo.

- Claro, sem problemas. – ela concordou. Boazinha como a irmã.

Fui até a sala, onde o imbecil estava sentado. Sentei no outro sofá, porque a falta de educação naquela sala era grande.

- Júnior, o que está acontecendo com você? Você não é assim. – puxei conversa direta. E esperava uma resposta.

- Fala baixo!

- Por quê? – porque eu teria que falar baixo? Há alguma coisa muito séria acontecendo.

- Porque a Clarisse não pode escutar! – ele implorava.

- O que foi? Fala! – eu queria saber. O suspense é doloroso.

- É que, o que eu estou sentindo, eu nunca senti antes. Eu estou apaixonado.

- Por quem? Pela Clarisse? – era meio óbvia a pergunta. Mas precisava de uma certeza.

- É, é sim. Ai cara, não sei o que faço! – ele pareceu desesperado.

- Conta pra ela. Um sim ou um não. Acho que mais que isso você não ganha.

- Ou um tapa na cara também.

- Não, eu a conheço, acho que ela não faria isso.

- Mas como que eu faço? Eu estou perdido!

- Pede para conversar com ela, e então se declara.

- Assim, tão fácil?

- Você vai ver que na hora nada é fácil. Experiência própria.

- Só que a sua experiência deu certo.

- E quem disse que vai dar errado? Você nem tentou! – eu estava botando pilha. - mas sabe que com ela é sério.

- Eu sei. Mas o que eu sinto por ela também é sério.

- Então. Eu vou dormir, e vocês conversam.

- Tem certeza? Sei lá, nunca me declarei pra ninguém!

- Eu também não tinha me declarado também. Depois quando ela diz sim, seu mundo fica de cabeça pro ar!

- Sei. É fácil falar, ela aceitou.

- Que seja. Vou dormir. Boa noite e boa sorte.

- Boa noite.

Dirigi-me à cozinha para dar boa noite para Clarisse. E claro, dar uma forcinha.

- Boa noite Clarisse. Júnior disse que quer conversar com você.

- Boa noite Thomas. Hum, será que fiz algo errado? Vamos ver. Obrigada Thomas. Depois vou lá.

- De nada.

Fui dormir. Essa noite Daphny não chorou, mas eu ia sempre vê-la. De manhã, ela acordou era umas sete e meia. Fui preparar sua mamadeira. Ela comeu, e ficamos ali na mesa, aproveitei para tomar café também. Ela pegou um biscoito e o despedaçou, depois bateu palminhas.

- Filha, - era estranho esse nome- não pode fazer isso. Há tantas crianças que querem e não tem o que comer. É feio fazer isso. – fiz que não. Ela parou de rir. Ficou séria, e deixou a outra metade do biscoito na mesa. - Muito linda assim.- E sorri. Ela também sorriu.

Ela é pequena, mas também não posso deixar ela fazer tudo o que ela quer. Clarisse acordou, e veio sentar-se na mesa. E nada do Júnior.

- Bom dia lindinha. Bom dia Thomas, ela já comeu?

- Bom dia. Sim, ela já está bem alimentada. – tão cedo não é preciso alimentá-la.

- Que bom. Hoje vou dar um passeio com ela pelo parque, para ela sair um pouco.

- Claro, nem pensei nisso. Ela ficou todos esses dias em casa. Ela precisa de um ar limpo e fresco.

- Com certeza. Eu também preciso. – E tremeu. Não perdi tempo e puxei o assunto.

- E aí, o que o Júnior queria falar com você?

- Até parece que você não sabe. – me olhou séria. Eu queria rir, mas acho que ela não ia gostar. – É ele falou sim comigo.

- E o que ele falou? Porque ele falou pra mim uma coisa, vai que ele desistiu? Sei lá. – fiz de desentendido. Se ela não contasse, Júnior certamente me contaria.

- Provavelmente ele falou pra mim a mesma coisa que falou pra você. Que está apaixonado por mim e tal... – revirou os olhos. - Fala sério, é assim que você conquistou a Joane? Minha irmã caiu nessas besteiras que vocês falam? Coitada!

- Não sei o que o Júnior falou, mas, eu certamente disse algo mais maduro. Mais verdadeiro. Ele certamente falou a maior parte besteira.

- É, falou sim. Ele parecia nervoso. Chegou a gaguejar. – deu uma risadinha. Pela primeira vez eu senti pena dele.

- Ele estava nervoso. Tinha medo de falar com você e ser rejeitado. Disse pra mim que o que ele sente por você, nunca sentiu por outra. Eu acredito, pois ele nunca ficou assim.

- Sério? Pensei que ele dizia para todas! Nossa, coitado.

- Você disse não? – eu queria saber o resultado.

- Eu disse que ia pensar, mas já estava pensando em dizer não. Achei que o que ele falou era típico de ele falar para as outras também. Ainda bem que conversei com você. Aí posso pensar melhor. – suspirou.

- Fala sério Clarisse, acha que o Júnior quer ser romântico com todas? Eles não perdem esse tempo. Eles vão direto ao ponto. Porque elas acham que com eles tudo é um algo a mais. – revirei os olhos. Lembro-me dessa época. Já aconteceu comigo. Uma época onde ainda não existia Joane. Voltei ao assunto principal. – Talvez o que ele sente por você, é algo diferente mesmo, dê a ele uma chance. Só uma chance. E se ele falhar, aí Você pode me bater, bater nele, mas só dê a ele uma chance.

- Tudo bem, vou pensar com cuidado. Vou lembrar dessa conversa.

- Não estou te forçando a nada. Pode recusar, faça o que você quiser, mas eu te digo que eu nunca o vi assim, tão retardado, tão apaixonado.

- Sim, sim, eu sei. Bem, se não se importa, vou levar a Daphny para passear, e vocês podem ir trabalhar.

- Vou. Júnior já foi? Ele não levantou ainda.

- Já foi sim, eu o vi sair.

- Obrigado. – Dei um beijo em Daphny e fui trabalhar.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

12º Capítulo

- Bem, você já deve ter percebido que ela é muito parecida com Joane, exceto pelos olhos. Ela tem os seus, azuis esverdeados. Mas isso a deixa mais bonita.

- Meus olhos? – perguntei. Havia pelo menos uma interferência minha.

- Sim, os seus olhos. Mas tirando isso, ela é totalmente Joane. – e sorriu. Deixava-me feliz que ela fosse totalmente Joane, exceto pelos olhos. – se ela não tivesse seus olhos, todos iam duvidar que ela fosse sua filha. – não gostei dessa parte. – íamos pensar que fosse só de Joane, que ela a tinha feito sozinha. – agora ela explicou. E nós dois rimos.

Ela se mexeu e acordou. Meu olhar encontrou o seu, e ela sorriu. Tão linda. Eu fiquei maravilhado.

- Quer pegá-la? – ela perguntou. É lógico que sim. Mas tinha medo de tirá-la da cama.

- Não acha melhor a senhora tirá-la da cama? Sabe como é. Pai de primeira viagem.

- Claro. Então observe. – e tirou-a da cama. Ela era bem grande, mas também, perdi sete meses da vida dela, não tinha que me queixar do que sentir falta. Eu merecia toda a dúvida. Ela passou-a para meu colo. Eu a beijei, e dali não queria que a tirassem. Sentei-me em uma poltrona que tinha ali perto. A Sra. Thunner me deixou sozinho com ela. Não me cansava ficar olhando para seu rostinho, e me lembrava de Joane. Aquilo me fazia cair, se eu não tivesse com a bebê no meu colo. Passou umas duas horas, quando a bebê começou a chorar, e a Sra. Thunner entra no quarto.

- O que ela tem? – me assustei. Parecia um choro de dor.

- Ela está com fome. Vamos descer. Vou alimentá-la.

Descemos, e fomos para a cozinha. Ela sentou em uma cadeirinha especial, e batia com as mãozinhas na mesa. Sentei-me ao lado dela, e ela pegou minha mão. A Sra. Thunner amassou algumas maçãs em um prato, e começou a alimentá-la.

- Não sei se a senhora se importaria de eu levá-la para ficar alguns dias lá em casa. Quero ficar um pouco mais com ela.

- Você sabe cuidar de uma criança? – agora ela me pegou de surpresa. Se naquela hora em que ela chorou, a Sra. Thunner não tivesse dito que era fome, eu teria dado remédio, pensando que ela estava com dor.

- Não, mas era só o que eu quero, passar alguns dias com ela.

- Eu deixo. Clarisse pode ir com você e ficar o tempo que Daphny ficar lá. Ela vai te ajudar.

- Tudo bem então. Será melhor. – concordei. Pelo menos ela deixou.

- Vou terminar aqui, arrumar as roupinhas e os suprimentos, chamar Clarisse, e então pedir ao meu motorista para que os leve até o seu apartamento.

- Muito obrigado, Sra. Thunner.

- Disponha. – soltou um sorriso.

Clarisse logo desceu com as malas, e eu peguei Daphny no colo. Chegamos no “apartamento”, entrei e esperei o motorista terminar de carregar as bagagens. Eu via na expressão dele a dor que lhe causava. Ele virou-se para mim, e disse com a voz de dor:

- Na última vez que vim aqui, foi para deixar Joane. Agora vou deixar a filha dela. Não sabes o quanto isso me magoa.

- Fique tranqüilo. Ela não vai morar comigo. A Sra. Thunner não vai deixar.

- Sei que você irá cuidar bem dela como cuidou de Joane. Mas é que a última vez que a vi foi quando a deixei aqui. Sempre que ela ia lá eu nunca estava.

- Entendo. Bem, mas sempre que quiser vir aqui ver a Daphny, sempre será bem vindo.

- Obrigado senhor.

- Disponha. E por favor, me chame de Thomas.

- Sim, está bem.

Ele terminou e foi embora. Clarisse levou Daphny no berço.

- Então Thomas, aquele era o quarto de vocês? – Interrompeu o silencio.

- Sim, era. Eu ainda durmo lá. É complicado, doloroso, mas ainda durmo. – expliquei.

- Sinto muito Thomas, eu sempre achei o amor que vocês tinham um pelo outro mágico. Imagino como deve ser difícil pra você, com um final assim.

- Não é um final, eu ainda a tenho em cada pensamento meu, nos meus sonhos, no meu coração. Só a diferença é que não posso mais tê-la em meus braços. Isso me deixa destruído.

- Eu entendo. Mas se não fosse pela Daphny, você teria se suicidado, não é?

- Sim, teria. – não havia como negar. Era a mais pura verdade. – A única razão por eu estar vivo é a Daphny.

- Você não pensa em se casar de novo? Arranjar outra pessoa?- isso foi uma cantada?

- Não, não penso. Joane foi a única que me conquistou. – disse com certeza e clareza.

- Você é jovem Thomas, tem apenas 18 anos. Tem uma vida pela frente. Porque se amarrar em uma ilusão? – isso doeu. Isso me empurrou para o fundo do poço.

- Eu sei que sou jovem. E tenho uma filha para cuidar. Ela precisa de mim, e eu a deixei por sete meses, não quero perder mais nada dela. – expliquei novamente.

- Thomas, se o problema é esse, eu cuido dela para você. Cuido dela e você tem uma vida normal.

- Não vou largar minha filha Clarisse. Eu já falei. Não me importo com mais ninguém, só com ela. Não em importo em perder minha vida por ela. Se tiver que ser assim, que seja. Eu não vejo mais ninguém. Só Joane e Daphny. Só elas, e mais ninguém.

- Tudo bem, desculpe-me então.

- Desculpe também, eu não queria ser grosso. – nós dois tínhamos culpa nessa conversa.

- Tudo bem. – deu um sorriso. Iríamos jogar aquilo fora.

Júnior finalmente chegou. Tomei banho, eles também. Jantamos e Daphny acordou. Júnior e Clarisse se divertiam com ela. Quando terminei, fui brincar com ela. Nós tínhamos uma conexão, como se ela fosse Joane, alguma coisa assim. Ela largou seu brinquedo e veio brincar comigo. Brincamos por horas. Quando eu sentei, botei-a no meu colo, e logo ela adormeceu. Ela me lembrava Joane de muitas formas, ela era toda Joane. Botei-a no berço, no berço que foi meu, e fui dormir também. Naquela noite ela acordou umas quatro vezes, ou era fome, ou cólica, eu mal dormi.

Eu, nessa noite, sonhei com Joane. Ela estava dormindo ao meu lado, e quando acordei, percebi que ela queria falar algo, mas que da boca dela nada saía. Quando eu fui beijá-la, eu acordei. Dei com minha cabeça na cama várias vezes, lamentando, aquilo poderia ser real, tinha que ser real. Daphny logo acordou, e fui ver o que ela queria. Ela estava com fome. Fui até a cozinha, e preparei um mingau, na mamadeira, ela comeu quase tudo. Esperei ela digerir, e ela acordou, finalmente. Ficamos nós na varanda, enquanto Júnior e Clarisse estavam dormindo. Ela havia me encantado, como a mãe. Suas mãozinhas correram pelo meu rosto, e ela sorriu. Retribui o sorriso. Júnior acordou, tomou café e foi trabalhar. Logo, Clarisse também acordou, e eu fui trabalhar.

O dia passou tranqüilo, mas em cada hora de intervalo eu ligava para casa. Preocupação de pai. Bati o meu cartão e fui o mais rápido que pude com a minha velha bicicleta. Mas ela me trazia boas lembranças. Cheguei em casa e Clarisse estava dando banho nela. Quando ela terminou, Daphny olhou para mim, sorriu e bateu palminhas. Clarisse pareceu assustada.

- É a primeira vez que ela bate palminhas. Que linda da tia! É, papai chegou.

Ela olhou pra mim, e não perdi tempo e peguei-a no colo. Ela encostou sua cabecinha no meu peito e suspirou. Com a mão direita agarrou na minha camisa.

- Ela dormiu hoje? – perguntei. Ela parecia cansada.

- Sim, mas ela brincou bastante também. Achei alguns brinquedos de madeira, se não se importa, e brinquei com ela. – ela riu. - Ela está bem cansada.

- É melhor a fazer dormir.

- Não, primeiro ela tem que comer.

Botei-a na cadeirinha. Clarisse tinha feito uma sopinha para bebê, amassado. Ficou meio nojento aquilo. Mas ela comeu. Depois, peguei-a para Clarisse tomar banho. Ela ficou brincando com meus dedos e com minha aliança. Logo depois ela dormiu. Coloquei-a na cama e fui jantar. Cheguei à cozinha e Júnior estava sentado ao lado de Clarisse. Ele estava quieto. Não era típico dele. Sentei e esperei o silêncio ser interrompido. Preparei meu prato e dei a primeira garfada. E nada. O silêncio era constrangedor naquela casa. Júnior terminou, deixou o prato na pia e foi para a sala. Olhei para Clarisse. Será que ela sabia de algo?

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

11 º Capítulo

E aí? se emocionaram muito?
Triste né.

SETEMBRO




OUTUBRO



NOVEMBRO





DEZEMBRO





JANEIRO






FEVEREIRO




MARÇO












Esses sete meses, eu fiquei totalmente em depressão. Eu estava acabado, se me perguntassem como era minha filha, eu não teria resposta. Preferi que a Sra. Thunner levasse-a para morar com ela. Eu não tinha condições de cuidar, até o Júnior preferiu assim. Mas, com esses meses todos, havia uma necessidade dentro de mim, para conhecer, cuidar da minha filha. Ela foi a única coisa que Joane havia deixado para mim. Fui até a casa dos Thunner, e quando bati na porta a empregada me atendeu.

- Bom dia Sr. Thomas, o que deseja?

- Queria falar com a Sra. Thunner, ela está?

- Sim, vou chamá-la. Quer entrar e aguardar aqui na sala?

- Tudo bem.

Sentei-me no sofá e logo ela apareceu.

- Thomas, está tudo bem com você?

- Sim, Sra. Thunner. Só preciso ver minha filha. Eu sei que o que eu fiz foi imperdoável, mas queria conhecê-la.

- Por favor, Thomas, você não fez nada de errado. Você amava Joane mais do que qualquer um podia entender. Eu só sentia pena de você por estar naquela situação. Você tem se alimentado? Pelo visto não. Nossa Thomas, você está acabado.

- É eu sei. Agora que estou tentando me recompor, não por inteiro, mas pelo menos a metade. Sei que minha filha precisa de mim. E é por isso que estou aqui.

- Está bem, me acompanhe, ela está dormindo.

Segui-a até um quarto com a porta branca. O único com a porta branca. Ela abriu, e eu entrei atrás dela. Fiquei emocionado, admito. Nunca que eu daria um quarto desse para minha filha, não morando naquele cafofo, e com o dinheiro que só da para pagar as contas, e comprar algumas coisas boas. Mas aquilo era simplesmente o sonho de quarto que todo pai e toda mãe queria dar para sua filha. E, perto da janela, havia um berço, todo de madeira, e ali, tinha um bebê, ou melhor, uma boneca. Ela era tão linda, tão parecida com Joane. Parei, e pus minha mão em seu rostinho, ela era tão delicada!

domingo, 2 de janeiro de 2011

10º Capítulo

OOOiiii pessoal, aqui estou novamente. Postarei normalmente, pois já cheguei das férias!

- Amor, vou visitar mamãe, ela quer falar comigo, e eu estou com saudades dela.

Não sei do porque eu estar com uma coisa ruim dentro de mim.

- Quer que eu vá com você? – perguntei por impulso.

- Não, pode ir trabalhar. Eu pego um ônibus, é melhor.

- Tem certeza?

- Claro. Tenha um ótimo trabalho. – e me beijou. Foi um beijo doloroso. Arrepiei-me.

- Volte correndo para mim.

- Sempre. – e soprou um beijo.

Fui normal para o trabalho. Almocei, e voltei ao trabalho. Não passava das quatro da tarde, quando um telefonema, um telefonema que mudaria tudo em minha vida. Era uma mulher querendo falar comigo.

- Sr. Thomas? Aqui é a enfermeira Claire. Liguei para o senhor para avisar que sua esposa foi atropelada, e que ela e o bebê correm um grande risco de vida. Melhor seria se o senhor pudesse vir para cá imediatamente.

Não tive tempo para respondê-la, e nem para ficar ali. Imediatamente corri para o hospital, eu não podia perder nenhuma das duas. Cheguei, e me deparei com a mãe dela e Júnior. A expressão era de matar qualquer um.

- Onde ela está? Quero vê-la.

- Ela está na sala de parto. – Sra. Thunner me respondeu, angustiada. – O médico disse que fará o possível para que as duas fiquem vivas, mas que será muito complicado.

- Pois eu quero falar com ele. Ele não tem que fazer o possível, ele tem que fazer o impossível também! E eu quero vê-las.

- Calma irmão, espera. Certamente não é uma boa hora para entrar naquela sala.

- Não me importa a hora entendeu? Eu quero minha esposa e minha filha vivas!

De repente, o médico veio ao nosso encontro. Pediu calma a todos. Ele só podia estar brincando.

- E aí doutor, como está o bebê? – Júnior perguntou. Eu também queria saber.

- A bebê está bem. Nasceu saudável, e bem bonita. – suspirou. Um suspiro de tristeza.

- E Joane doutor? – perguntei. Será que Joane estava bem?

- Eu sinto muito, mas ela escolheu a vida da filha ao invés da dela. Ela só gritava para salvar a filha, e para dizer ao Thomas, que ela o amava muito. Ela não resistiu. Tentamos de tudo, o possível e o impossível. Eu lamento.

NÃO! NÃO! NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃO! Isso não está acontecendo! Ela está viva! Ela tem que estar. Caí no chão, sem força nenhuma, demolido. Júnior abraçou a mãe dela, que chorava desesperadamente. Eu me senti vazio, sem vida. Queria morrer ali e naquele instante. Mas havia uma parte de mim que queria que eu vivesse, pois eu tinha uma missão para ser cumprida. Depois quem sabe eu poderia morrer. Era milha filha, ela não podia ficar sem ambos os pais, só imagino o sofrimento que não ia causar a ela, ser órfã. Mas isso eu pensaria depois, queria ter Joane, eu queria vê-la.

- Doutor, eu preciso vê-la. Preciso ver Joane. – eu disse, sufocado. Não tinha nem fôlego, nem voz.

- Você é o marido dela? – perguntou-me. Será que ele não via em minha expressão?

- Sou sim. Quero vê-la. – era só o que eu queria naquele momento.

- Me acompanhe, por favor.

Segui o médico. Cada passo era uma eternidade. Cheguei à sala e lá estava ela. Nem assim ela deixava de ser linda. Cheguei perto, e passei minha mão em seu rosto.

- Por que você foi fazer isso comigo? Por que você me deixou? – minhas mãos deslizavam do seu rosto ao seu pescoço. Ela estava fria, muito fria. Estava cheia de hematomas, creio, do acidente. Mas eu iria atrás do culpado, vou exigir justiça! O enterro foi o pior momento pra mim. Foi mortal ver que minha vida estava naquele caixão... Dia 25 de agosto. O dia mais doloroso.

Continua?